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METODOLOGIAS ÁGEIS
Tradicional versus ágil
POSTADO EM 14 DE OUTUBRO DE 2009 POR DANIEL LOPES MACHADO

A crescente complexidade dos Sistemas de Informação (SI) exigiu a definição de metodologias de gestão dos processos de desenvolvimento, para que analistas e arquitetos de software pudessem utilizar de maneira mais eficaz os recursos disponíveis, bem como oferecer soluções com qualidade, custo e prazo controlados.

Foram então adaptados os consagrados conhecimentos em Gestão de Projetos, que, por definição, presumem que o objetivo de um trabalho seja construído em etapas sequenciais, com início, meio e fim.

Mas a aplicação de tal metodologia assume que os SI, essencialmente intangíveis, sejam tratados como produtos resultantes de um processo. Além disso, os primeiros modelos de desenvolvimento de SI, conhecidos como waterfall, sugeriam a sucessão de atividades bem definidas: definição de requisitos, projeto, construção, integração, testes e implantação; com pouca ou nenhuma interseção entre elas, dificultando, e muitas vezes até impossibilitando, que fases anteriores sejam redefinidas ou modificadas. Assim, foram propostas diversas alterações a este modelo, com o objetivo de satisfazer as características únicas necessárias à implementação de SI.

Aos poucos, foram apresentadas novas abordagens, incluindo processos em ciclos e iterativos, até que as metodologias mais utilizadas em todo o mundo já em muito pouco se pareciam com o modelo waterfall. É o caso, por exemplo, do Rational Unified Process (RUP). Mesmo que tenham garantido considerável aceitação do mercado, demandaram um rígido suporte administrativo, muitas vezes burocrático, reduzindo e limitando a produtividade. Tais metodologias, derivadas dos processos de desenvolvimento de SI inicialmente propostos, serão designadas genericamente por Metodologias Tradicionais (MT).

Ao final dos anos 90, diante das demandas cada vez mais exigentes do mercado, muitos profissionais passaram a questionar as MT, alegando que os usuais conceitos para definição de metodologias de desenvolvimento de SI deveriam ser revistos, bem como todo o processo redesenhado, e não mais adaptado a partir de um modelo pré-concebido. Adicionalmente, as MT foram estabelecidas levando em consideração papéis específicos, comuns em grandes organizações. O mercado de softwares, entretanto, foi sacudido recentemente pelo surgimento de empresas enxutas, porém eficientes e lucrativas, compostas por equipes dinâmicas, multidisciplinares e focadas no gerenciamento de mudanças, onde as MT encontraram um ambiente de pouquíssima aderência.

Surgiram então novas metodologias, como Extreme Programming (XP), Scrum, Dynamic Systems Development Method (DSDM), Adaptive Software Development (ASD), Crystal, Feature Driven Development (FDD) e Pragmatic Programming (PP), modificando a abordagem em relação às atividades padrões de gestão de desenvolvimento de SI: gerenciamento de requisitos, riscos, qualidade, escopo, tempo e custo.

Assim, em 2001, um grupo de dezessete representantes, dentre eles alguns criadores das metodologias citadas acima, se reuniu para definir princípios e valores, em torno das percepções que possuíam em comum, em relação a como o processo de desenvolvimento de SI deveria ser conduzido. Surgiu então o Agile Manifesto, com o objetivo de formalizar um novo paradigma de gestão de desenvolvimento de software.

Estas alternativas são designadas genericamente por Metodologias Ágeis (MA), todas em completa oposição conceitual frente às MT. Em pouco tempo, as MA ganharam inúmeros seguidores e provocaram reação imediata a um padrão já estabelecido, polarizando opiniões.

Em um mercado ainda em fase incipiente de evolução, com muitas incertezas e inovações, é preciso estar atento a questionamentos e novas propostas de abordagem, não só em relação à tecnologia, mas também quanto às metodologias utilizadas na gestão do processo de desenvolvimento de SI. As origens, as diferenças e, principalmente, a aplicabilidade das MT e das MA precisam ser conhecidas e testadas, com o objetivo de facilitar a decisão estratégica que as organizações envolvidas com o desenvolvimento de software devem tomar para que se mantenham competitivas e atualizadas.

Se comprovada a tendência de crescimento das MA e estagnação das MT, independentemente da decisão por uma ou outra vertente, o sucesso de tais empresas dependerá da adaptabilidade de um destes paradigmas de gestão de SI a seus processos específicos.

Eis o problema, considerando que os estudos atuais não sugerem uma convivência pacífica entre MT e MA, ou o sucesso de metodologias combinadas: qual caminho tomar? Parece evidente o impacto desta escolha. Potencialmente, pode representar uma nova chance de prosperidade a pequenas organizações, bem como uma completa reestruturação na distribuição e concentração do mercado de desenvolvimento de SI.

DANIEL LOPES MACHADO
Sócio-fundador da Creaator Sistemas de Informação, formado em Ciência da Computação, MBA em Gestão de Projetos de Software, Certified ScrumMaster. Atua na especificação e implantação de sistemas de informação. Suporta a comunidade de software livre e as metodologias ágeis de desenvolvimento de projetos.
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